domingo, 19 de junho de 2011

GLOBO RURAL

Artesã ensina a pescar cidadania
Wânia Lima deu uma reviravolta na própria vida, após participar de curso sobre aproveitamento da pele de peixe
Wânia virou palestrante e dá cursos para estimular novas empreendedoras
Foi em um curso de reciclagem de pele de peixe que a dona-de-casa Wânia Alecrim de Lima vislumbrou a oportunidade de mudar de vida. Realizado em 2002, pelo Governo de Mato Grosso do Sul para famílias que tiravam o sustento do rio, o curso permitiu que ela iniciasse uma trilha que acabou lhe rendendo o Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora 2005, na categoria Cooperativas e Associações, e a indicação para o Prêmio Cláudia 2006, na categoria Trabalho Social. A trajetória dela é contada no livro Histórias de Sucesso, que será lançado este mês, quando serão conhecidas as vencedoras nacionais da edição 2006.
O artesanato em pele de peixe fez sucesso também na Fashion Rio, maior evento de moda do país, realizado no Rio de Janeiro (RJ), em junho de 2006. Na ocasião, foi apresentada a produção de diversas peças artesanais confeccionadas pela Amor-Peixe, como roupas, bolsas, carteiras, dentre outras. Atualmente, os produtos estão sendo apresentados para alguns empresários no exterior, mas a primeira remessa ainda não está confirmada.
Mulher de pescador, Wânia Alecrim, 38 anos, casou jovem e abandonou a escola para cuidar da casa. Após fazer o curso de reciclagem, ela incentivou algumas colegas a fazer confecção de bolsas, roupas e carteiras utilizando peles de peixes regionais, que são curtidas, amaciadas e tingidas.
As peles de peixes viram 30 produtos artesanais
"A perda, a fome e o preconceito sempre me acompanharam, mas, por meio do trabalho que traz dignidade para o ser humano, reverti a minha situação e estou tentando passar isso para as minhas companheiras. Os obstáculos começaram a ser superados gradativamente", revela Wânia.
Em maio de 2003, com o apoio do WWF-Brasil, foi inaugurada a Associação Mulheres Organizadas Reciclando o Peixe de Corumbá, organização não-governamental com sede na Casa do Artesão, no centro da cidade. As dez integrantes da Amor-Peixe já fizeram cursos de design, costura, empreendedorismo e faturam, cada uma, cerca de 400 reais por mês com a venda de seus produtos para empresas e turistas. Wânia, que é presidente da ONG, dá palestras e cursos - recentemente capacitou pescadoras da Bolívia.
Dos peixes, as associadas reaproveitam tudo: carne, pele e ossos. Produzem cerca de 20 tipos de produtos artesanais, todos feitos de couro de peixe e tecido natural, bordados com palha de buriti. Desde sua criação elas já venderam 3 mil itens.
Atualmente a Amor-Peixe é apoiada pelo WWF-Brasil, Sebrae, Embrapa Pantanal, Casa do Artesão e Prefeitura Municipal de Corumbá.

Nenhum comentário:

Postar um comentário